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Violência Política de Gênero e Masculinidade Tóxica: O Caso Marina Silva e o Desafio aos Homens na Democracia Brasileira

  • Foto do escritor: Mapear
    Mapear
  • 27 de mai.
  • 2 min de leitura

O episódio protagonizado pela ministra Marina Silva nesta terça-feira (27), ao deixar uma sessão no Senado após sofrer ataques e interrupções reiteradas, não é apenas mais um caso de violência política de gênero — é também um reflexo direto da masculinidade tóxica que ainda impera nas estruturas de poder do Brasil.

Marina, convidada institucionalmente como ministra do Meio Ambiente, declarou com firmeza ao se retirar: “Me convidaram como ministra, têm que me respeitar.” Seu gesto foi um grito de dignidade diante de uma postura parlamentar marcada por hostilidade, interrupções grosseiras e tentativas de silenciamento.

Esse tipo de comportamento não é novo — e muito menos neutro. Ele revela uma lógica de poder enraizada na masculinidade tóxica: aquela que associa masculinidade à dominação, à agressividade verbal, à necessidade de impor controle e à incapacidade de ouvir mulheres em posição de autoridade. Trata-se de um padrão que não apenas oprime as mulheres, mas também empobrece o debate público e enfraquece a democracia.

A mesma masculinidade tóxica que violenta mulheres na política é a que naturaliza a piada ofensiva no gabinete, a interrupção nas reuniões, a deslegitimação das emoções femininas como “exagero” e o uso de ameaças e metáforas violentas, como a do senador que afirmou querer “enforcar” Marina Silva. Quando homens se sentem autorizados a falar assim, estamos diante de um padrão de cultura política que normaliza a brutalidade como linguagem e a misoginia como método.

Mas o que fazer diante disso?

É hora de os homens ocuparem um lugar ativo na ruptura com essa lógica. Isso exige assumir uma masculinidade positiva, ética, baseada no respeito, na escuta, na corresponsabilidade e no compromisso com a equidade. Não se trata apenas de “respeitar as mulheres” como se fosse um favor, mas de reconhecer o direito legítimo delas de ocupar o espaço público com voz, poder e autoridade.

Assumir uma masculinidade positiva no ambiente político é, entre outras coisas:

  • Recusar-se a usar da força ou da arrogância como ferramentas de debate;

  • Interromper falas machistas de colegas — e não rir ou se omitir;

  • Reconhecer os saberes e contribuições das mulheres;

  • Promover espaços de escuta e não de silenciamento;

  • Reconhecer seus próprios privilégios e usá-los para abrir portas, e não para fechá-las.

O que vimos com Marina Silva é mais do que um ataque isolado: é um sintoma grave de um sistema político que ainda resiste à presença feminina com hostilidade. A resposta a esse cenário não pode ser apenas de solidariedade — deve ser de transformação cultural. E essa transformação começa também com os homens.

Homens que ocupam espaços de poder precisam decidir que tipo de masculinidade desejam praticar. Porque a democracia — para ser, de fato, democracia — exige mais do que igualdade formal: exige respeito, escuta e mudança.

 
 
 

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