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Assédio é violência. E violência não se justifica.

  • Foto do escritor: Mapear
    Mapear
  • 20 de jan.
  • 2 min de leitura

O episódio recente exibido no BBB reacendeu um debate que o Brasil insiste em empurrar para debaixo do tapete. O que foi visto não pode ser tratado como entretenimento, exagero ou mal-entendido. Foi assédio. E assédio é uma forma de violência.


A situação evidenciou o funcionamento de uma engrenagem social que age rapidamente para proteger o agressor. Minimizações, silenciamentos, relativizações e tentativas de inverter a culpa surgem quase de forma automática. Esse movimento não acontece por acaso. Ele é resultado de uma estrutura profundamente marcada pelo machismo.

O chamado pacto do machismo opera exatamente assim. Homens são protegidos por outros homens e por instituições que reproduzem a lógica de que suas ações podem ser explicadas, justificadas ou perdoadas. Quando o agressor é um homem branco, esse pacto se fortalece ainda mais. A branquitude funciona como escudo simbólico, garantindo benefícios da dúvida, empatia pública e proteção institucional que não são distribuídos de forma igual na sociedade.

Tratar o caso como algo isolado significa ignorar a realidade. O assédio é fruto de uma cultura que naturaliza o controle sobre o corpo das mulheres, que ensina homens a ultrapassarem limites e que, ao mesmo tempo, responsabiliza as vítimas pelas violências sofridas. Essa lógica se reproduz dentro e fora das telas, nos espaços de trabalho, nas relações afetivas, nas ruas e nas instituições.


Dados da pesquisa Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Datafolha, mostram que 46,7% das mulheres brasileiras com 16 anos ou mais já sofreram algum tipo de assédio ao longo da vida, especialmente em espaços públicos e ambientes de trabalho. Ainda assim, a subnotificação é alta, impulsionada pelo medo, pela vergonha e pela descrença de que haverá responsabilização. Quando casos públicos são relativizados, a mensagem enviada é clara: denunciar não vale a pena.


O Instituto Mapear reforça que enfrentar o assédio exige indignação contínua, educação crítica, responsabilização efetiva e o compromisso de desmontar estruturas que sustentam a violência de gênero. Esse enfrentamento passa pela discussão sobre masculinidades, poder, raça e privilégios, bem como pela escuta e centralidade das vítimas.


Violência não é entretenimento. Assédio não é erro pequeno. Não é exagero. Não é opinião.

É crime. É estrutura. E precisa ser enfrentado coletivamente.

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