Você já parou para pensar nas masculinidades indígenas?
- Mapear
- 29 de abr.
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Abril é um mês de luta, memória e afirmação para os povos indígenas do Brasil. Conhecido como Abril Indígena, este período é marcado por mobilizações que reforçam a importância da preservação dos territórios, das culturas e dos direitos originários. Mas, para além das pautas já conhecidas, é necessário trazer à tona um tema ainda pouco debatido: as masculinidades indígenas.
Segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, o Brasil conta com cerca de 1,7 milhão de indígenas, pertencentes a mais de 300 etnias e falantes de mais de 270 línguas. Essa diversidade revela que a vivência da masculinidade entre os povos indígenas é múltipla e não se encaixa nos moldes ocidentais hegemônicos.
Entre muitos povos, ser homem não está relacionado apenas à força física ou à dominação. Pelo contrário: a masculinidade é construída a partir do respeito aos ciclos da natureza, da proteção à comunidade e do equilíbrio nas relações familiares. Em comunidades como as dos Guarani Mbya e dos Ticuna, por exemplo, o papel dos homens inclui a transmissão dos conhecimentos tradicionais e o cuidado espiritual — aspectos fundamentais para a continuidade da cultura.

Um estudo publicado pelo Instituto Socioambiental (ISA) destaca que a colonização e as políticas de assimilação forçada tentaram impor aos indígenas uma visão eurocêntrica de gênero e de masculinidade, desconectada dos seus valores próprios. Esse processo histórico ainda hoje gera desafios, como a violência contra os corpos indígenas e a marginalização das expressões de identidade que fogem ao padrão imposto.
Falar sobre masculinidades indígenas também é reconhecer que há homens indígenas LGBTQIA+ que resistem e reafirmam suas identidades em espaços comunitários e urbanos, enfrentando preconceitos internos e externos. Iniciativas como a Rede Indígena Arco-Íris têm sido fundamentais para dar visibilidade a essas vozes.
Além disso, dados da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) mostram que o racismo estrutural impacta diretamente a saúde mental dos homens indígenas, evidenciando a necessidade de políticas públicas específicas que considerem suas realidades e subjetividades.
No estado do Pará, a Escola Estadual de Masculinidades pelo Fim da Violência contra Meninas e Mulheres conta com o professor Idjarrury Sompré — um indígena médico do estado — que atua junto aos povos indígenas e ensina aos cursistas sobre as masculinidades indígenas, para que as abordagens e os trabalhos com os homens indígenas se distanciem de práticas baseadas em estereótipos. A contracolonização é um conceito que o Mapear coloca em prática sempre que atua com os povos tradicionais.
Pensar nas masculinidades indígenas é, portanto, uma forma de romper estereótipos, valorizar as diferentes maneiras de ser homem e fortalecer a luta por respeito e autonomia dos povos originários.
O mês de abril termina, mas a reflexão deve continuar: quais histórias de masculinidades indígenas você ainda precisa conhecer?
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